sexta-feira, 5 de abril de 2013

Nada



Eu tinha em uma das mãos um estilete e na outra um vazio sem fim, meu coração estava dilacerado, tudo em que eu acreditava havia desmoronado, as pessoas eram mentirosas, não dava para acreditar em mais ninguém. Os amigos mentem, os pais mentem, os políticos mentem, as emissoras mentem, as pessoas mentem, o mundo mente e o pior... Você mente.
A lamina afiada perfurou minha pele branca como a neve e lisa, tudo começou com um ardor e passou para a pura dor, até que finalmente eu pude ver o líquido vermelho escorrer pela lateral enquanto eu me esforçava para respirar, deixei que lentamente meu corpo escorregasse até o chão e me encolhi sentindo o frio cortante do piso daquele banheiro, abracei minhas pernas e deixei que finalmente as lágrimas rolassem por meus rosto. Era um choro calmo onde apenas as lágrimas saíam, não havia soluço, não havia espasmos, apenas o gosto salgado das lágrimas passando por meus lábios denunciava o choro. O ferimento doía, é claro que doía, mas nenhuma dor se compara aquela de perder tudo que se ama, de se enganar com o que se acredita, de perder a fé em si mesmo, pois a felicidade não depende dos outros ela só depende de si mesmo, mas e quando não há mais você mesmo?
Eu me tornei parte daquilo que eu vim, o nada.

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